O Voo da Aguia
Recentemente
participei de uma vivencia xamanica chamada Voo da Águia e pude acessar um
outro tipo de conhecimento que certamente não está em livros, ou ao menos se
estiver agora é algo que vivi, e não que li.
Existem muitas metáforas ligadas a este nobre
animal como as de renovação, liderança, determinação, superação e visão, para
falar das mais conhecidas qualidades atribuídas a Águia.
O povo indígena acredita que cada um de nós possui
um totem ou animal de poder, que seriam como uma espécie de espirito guardião
que nos acompanha ao longo da vida, nos oferecendo força e proteção. Muitas
vezes este animal está ligado de duas formas em nossa vida, ou por
características de personalidade nossa, comportamentos que teríamos em comum,
ou por aspectos ou lições que precisamos aprender com o animal que se liga a
nós. Por exemplo alguém cujo animal de poder seja um Tigre, o Tigre tem como
características caçar sozinho, não andar em bandos e ser muito agressivo ao escolher
uma presa, pois ele a estuda muito bem antes de atacar, de modo que
dificilmente alguém consegue escapar. Ou seja é um animal forte e que apresenta
muito foco no que faz. Podemos associar então que pessoas com este animal podem
ser fortes e focadas, porém preferem ficar sozinhas a estar em grandes grupos,
e a lição que o Tigre nos ensina é ter foco e não desistir fácil de nossos
objetivos, de pensarmos em estratégias que nos levem ao sucesso.
Se analisássemos a cultura indígena apenas
superficialmente, acharíamos uma bobagem a ideia de que um espirito animal nos
acompanha, mas sob a luz de uma reflexão mais acurada, percebemos a
profundidade por de trás destas idéias. Aliás o Xamã, que assume o posto de
curandeiro, conselheiro e sacerdote nas tribos, trabalha com vários animais,
que o protegem e o guiam em suas jornadas.
O Xamã acredita ser capaz de viajar com sua alma
aos mundos superiores e inferiores, e por inferior não entenda como inferno no
sentido cristão, e sim como subterrâneo, onde residem as entidades animais e
elementais da natureza. Para isso ele se serve de uma relação de simbiose com o
seu animal que lhe emprestam sua força e sabedoria.
Pude comprovar por experiência própria tais
verdades indígenas, de que tudo é vivo e conectado, de sermos seres
interdependentes na natureza, e de estarmos constantemente num processo de
renovação, algo morre e é sacrificado, para que algo novo surja, renovado.
Mas não sou um xamã, estudei e vivi o assunto, mas
um xamã só o é, quando recebe uma iniciação espiritual que o torna reconhecido
por outros que com ele convive. Até certo ponto diríamos que todo profissional
de cura, seja um terapeuta, médico, enfermeiro ou sacerdote religioso tem um
pouco de xamã em si, já que busca a cura física, emocional ou espiritual
do próximo. Mas só o xamã atua nos campos físico, mental, emocional e
espiritual ao mesmo tempo. Porém isto não nos impede de sermos curiosos, e
buscarmos uma iniciação ou sabedoria por nossa própria vontade. Já que nisto
consiste a vida de todos nós, e mesmo de todo herói interior. E foi exatamente
isso é que fui buscar com tal voo, uma ampliação da consciência de si mesmo,
uma transmutação, transformação ou renovação.
A partir desta experiência, deste voo foi possível
compreender o propósito de nossa existência, que não poderia ser outro que se
não acumularmos experiências. Algo que foi transmitido interiormente durante
este voo, o de todos termos o poder criador, de semos artistas diante de uma
tela em branco, onde tudo é possível, onde nós escolhemos as cores, a
misturamos, enquanto vamos dando o tom para o que queremos pintar. Temos o
livre arbítrio de escolher, que quadro desejamos pintar, se uma paisagem, um
rosto ou uma pintura abstrata. Certamente cada tela nos proporcionará diferentes
experiências.
E a grande questão de toda obra criada, é que ela
sempre existiu e sempre existirá primeiro como uma tela em branco, pois a sua
perfeição está nesta tela, em que projetamos e criamos os nossos sonhos, já que
somos todos grandes tecelões. O Grande Mistério ou Espirito do Universo, pode
nos mostrar o cintilar, o brilhar distante e próximo das estrelas, a grande
explosão originou tudo o que é conhecido. Mas a grande verdade, é que o Grande
Espirito talvez não exista sozinho, e sim em sua coletividade, dentro de cada
ser, dentro de cada coisa animada ou estática. Tudo é vivo e flui, e todos nós
buscamos este grande Artista do Universo, que como Shiva pode destruir só para
reconstruir novamente, já que temos de nos recordar que a vida do universo inicia
como uma grande explosão, assim como a vida humana também começa com a
explosão, de uma grande corrida rumo a um planeta distante e desconhecido
chamado óvulo, que é capaz de gerar vida em seu interior.
Estaríamos na verdade em um Grande Útero, como nos
faz pensar a nossa Pacha Mama ou Mãe Terra. Um grande ovo Cósmico, onde cada
uma de nossas escolhas reverberam por todo o espaço e por isso é difícil prever
o futuro, mas sabemos que sempre retornamos a esta tela em branco de múltiplas
possibilidades e experiências. O que agora percebo é que somos todos uma
expressão de Brama, do Criador, do Grande Arquiteto, Iavé, Amon Rá, Sol. Todas
estas Faces ou Mascaras de Deus presentes no Grande Mistério ou Espirito como
chamam os Indigenas, que há muito tempo dizem vir das Estrelas e a elas
retornarem no fim de seus dias.
Incontáveis civilizações avançadas ou não, se fazem
a mesma pergunta, qual é afinal o propósito da existência ?
E tudo o que aprendi é que o propósito da
existência é acumular experiências, é acumular a cada obra, a cada tela em
branco, que preenchemos com nossas cores, alegrias e vissitudes, o poder de
tornar-se UM.
O de tornar-se o Co-criador participativo de todo o
Cosmos, uma das Mil Faces do Herói !!!
..."tudo na terra tem um propósito,
cada doença uma erva para curar , cada pessoa uma missão a cumprir". Esta
é a concepção dos índios sobre a existência... Christine Quintasket (índia
Salish) 1888-1936
Rodrigo Wentzcovitch Marcilio - rodrigo.rainmaker@gmail.com - 11 99227.8950

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